Valença, 20 de maio de 2013

A origem de Santa Isabel do Rio Preto remonta à primeira metade do século XIX, quando da expansão da cultura cafeeira no Vale do Rio Preto.

Dado o isolamento em que viviam os moradores e agricultores da parte norte da Freguesia de Santo Antonio do Rio Bonito, nas proximidades do rio Preto, os principais fazendeiros da zona tomaram a iniciativa de erigir um “distrito de paz”, quando então era  “impraticável a boa administração da justiça” naquela zona.

Por iniciativa do capitão Anastácio Leite Ribeiro, foi criada por lei Provincial, em 1849, o curato de Santa Isabel do Rio Preto, freguesia em 1851 e atual distrito de Valença, em 1892. Em meados do século XIX, quando do apogeu da produção do café no vale do Paraíba, é construída pelo governo provincial a estrada “Presidente Pedreira” que objetivava ligar a localidade de Macacos (atual Paracambi) ao sul de Minas, passando por Conservatória, Santa Isabel e Santa Rita de Jacutinga. Não tardou e o pequeno arraial tornou-se parada obrigatória para pouso dos tropeiros que por ali passavam vindos do sul de Minas. Tanto movimento, proporcionou um rápido crescimento do comércio local. A situação melhorou ainda mais com a chegada em 1889 dos trilhos da Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, que ligava o progressivo distrito valenciano ao então povoado de Barra do Piraí, na época, o mais importante entroncamento ferroviário do Brasil! Santa Isabel torna-se então uma das mais pitorescas vilas imperiais da região de Valença.

Nos últimos decênios do século XIX, a produção cafeeira do vale entra em processo de decadência e inevitavelmente Santa Isabel tem seu crescimento retraído. No alvorecer do século XX, o povo isabelense tem seu progresso retomado. O gado substitui o café e o distrito torna-se um dos maiores produtores de leite da região, situação esta que  perduraria até os anos sessenta, quando da erradicação dos trilhos da Estrada de Ferro.

O trem que alavancou o progresso de Santa Isabel é o mesmo que levou embora as possibilidades de desenvolvimento. O isolamento é inevitável. Graças a esse isolamento, o povo valenciano tem hoje no seu terceiro distrito uma parte de sua história preservada. Desta vez, não são os imponentes casarões neoclássicos, hoje tão procurados pelos turistas, mas o “jeito simples de ser do isabelense”. Seja na sua calma, como se o tempo não fizesse diferença, nos “causos” do pessoal reunido na praça da igreja. Nos olhares curiosos da mulher na janela, nos doces de compota como se fazia no século XIX. Na criançada brincando no terreiro, os cavalos nas portas das vendas enquanto seu dono dá uma “bebericada” antes de ir pra casa. Na comunidade quilombola de São José da Serra, com seus cantos e danças de raízes africanas.  Tudo isso tendo como cenário a Serra da Beleza, banhada pelo tranqüilo rio São Fernando.

Pico do Cavalo Russo
Serra do Cavalo Ruço – RJ 137 Estr. Conservatória/Santa Izabel

Localizado na divisa de Conservatória e Santa Isabel do Rio Preto, o Pico do Cavalo Ruço possui uma altura aproximada de 1.296m. Possui vegetação densa, em suas encostas trechos de matas virgens de médio e alto porte.

Do local avistase além do relevo característico da região, os cumes arredondados, todo o Vale do Rio Preto, avistando-se também a torre da Matriz de Santa Rita de Jacutinga já em Minas Gerais.

Existe no local, uma rampa de 360 graus de vôo livre (asa delta), que no momento está desativada.

Serra da Beleza

RJ 137 Estr. Conservatória/Santa Izabel

Serra com relevo de aspecto típico, onde os cumes apresentam-se de forma arredondada e em diversos níveis. A vegetação nas encostas apresenta trechos em mata virgem, de médio e alto porte, capoeirões e principalmente rasteira. O trecho mais elevado da RJ 137 chama-se Mirante da Serra, sendo o melhor local para se apreciar a belíssima paisagem que circunda a região, avistando-se desde o Pico do Cavalo Ruço até a Torre da Igreja de Santa Rita de Jacutinga (MG), e de onde se tem uma visão ampla  do imenso Vale do Rio Preto. Durante o mês de Julho a temperatura chega a 10 C.

Local visitado pelos aficionados em fenômenos extraterrestres.

Igreja Matriz de Santa Isabel do Rio Preto

Localização: Rua Ismar Tavares – Centro

A Igreja Matriz de Santa Isabel do Rio Preto foi inaugurada com missa em 25 de dezembro de 1852. Foi reformada nos anos de 1893, 1906 e, finalmente como a vemos hoje, em 1930. O primeiro padre foi Joaquim Gonçalves de Morais.

Quilombo São José da Serra

Localização: RJ 137 – Estrada Conservatória – Santa Isabel do Rio Preto

A comunidade remanescente de escravos da Fazenda São José da Serra está estabelecida naquele local há mais de 150 anos. Durante todo esse tempo vêm mantendo acesa a cultura de seus ancestrais africanos e uma das mais destacadas dessas manifestações é o Jongo, dança companhada de cantos, que atrai um público cada vez maior ao local onde estão enraizados.

Estação Ferroviária de Santa Isabel do Rio Preto

Localização: Praça Tobias Lesi – Centro

A estação de Santa Isabel do Rio Preto teria sido inaugurada em 1893 já pela V. F. Sapucaí. O seu nome inicial. pelo menos ainda no projeto, era Joaquim Matoso, que, aliás, foi o nome dado mais tarde (1931) para uma estação na linha da Barra, mais ao norte, em Minas Gerais. O prédio serve hoje como posto policial e estação rodoviária. Está tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal.

A construção da Estrada de Ferro Santa Isabel teve início em 23 de agosto 1878, tendo sido liderada pelo coronel Leite de Souza e o engenheiro Pedro Carlos da Silva. Com o fim do império cada dia mais próximo aumentava a necessidade de inaugurar a ferrovia o quanto antes. No entanto, duas grandes obras de engenharia atrasavam a chegada da estrada até Santa Isabel – um túnel de 400m e um viaduto de 50m de extensão e 12m de altura. Com a impossibilidade de se fazer a inauguração em Santa Isabel do Rio Preto – o que seria natural -, a ferrovia teve que ser inaugurada em Conservatória antes que os trilhos chegassem ao destino final. Assim, em 21 de novembro de 1883, o próprio imperador D. Pedro II compareceu à cerimônia de inauguração – o que atesta o prestígio dos isabelenses junto à corte. O tráfego chegaria em Santa Isabel somente três anos depois, em maio de 1886.

A Cia. Estrada de Ferro Santa Isabel contava com 74,5 Km com bitola de 1m, Em 1893, a ferrovia foi estendida até Santa Rita de Jacutinga. A Cia. E.F. Santa Isabel depois fez parte da Companhia Viação Férrea Sapucahy, mais tarde encampada pela Rede Mineira de Viação. Santa Isabel foi servida por ferrovia de 1886 até 1961 quando a RMV foi desativada. A Cia. Estrada de Ferro Santa Isabel serpenteava sinuosa por entre as serras e matas da região. Levava o valioso café até Barra do Piraí que de lá seguia para exportação e para os mercados do Rio de Janeiro. Na volta, trazia os recursos que permitiam o progresso da região. Por ela os isabelenses iam a busca de estudos, maiores recursos e diversão, e vinham as famílias veranistas, caixeiros viajantes, doutores, e homens de negócios de toda ordem para tratar com os ricos “coronéis” isabelenses. Tinha um visual deslumbrante da Serra da Mantiqueira e do Vale do Rio Preto, com ponto alto nas travessias do Túnel do Capoeirão e da Ponte dos Arcos, hoje, duas das mais impressionantes atrações turísticas da região.

Túnel do Capoeirão

Construído em 1880 pela Cia. Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, que ligava Santa Isabel a Barra do Piraí. Construído por mão escrava, tem cerca de 485 metros de comprimentos e levou quatro anos para sua conclusão.

Hotéis e Pousadas

Pousada Cantinho do Céu
Praça Humberto Pentagna, 58
Centro – Tel.: (24) 2457-1115/2457-1421
Email: cantinhodoceu@oi.com.br

Hotel Pousada Ecovillage 
Estrada Fazenda Santa Marta, 100 m – Centro
Tel: (24) 2457-1152